domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sexo gastronômico

Bolívar Gaspar era um homem amargo. Sua própria mãe contava que durante o parto dele sentiu um gosto amargo na boca. Era prova do que estava por vir.
Não fez amigos na infância e pode-se imaginar o porquê. Desde os cinco anos já apresentava a jovialidade e frescor de um velho de oitenta anos. Nunca em sua vida tinha ido a um barzinho ou lanchonete, não por falta de dinheiro, mas com medo da falta de higiene desses "antros juvenis". Odiava animais de estimação, quando tinha nove anos seu pai lhe deu de presente de aniversário um golden retrivier. No mesmo dia o animal foi devolvido à petshop. O motivo da rejeição? O cachorro babava e seu pelo lhe dava asco.

Bolívar acabou se tornando, é claro, um crítico gastronômico, pois o único prazer que tinha na vida era comer, e seus 110 kg deixavam isto bem claro. Bolivar vivia bem no apartamento que era herança dos pais. Vivia bem e sozinho. Tinha seu próprio carro, era respeitadíssimo na profissão que escolhera e, como poucos, tinha o prazer de trabalhar em algo que lhe dava prazer. Porém, não tinha tudo que queria, e o bem da verdade é que não lhe faltava muito. A única coisa que lhe tirava o sono era a secretária de pernas roliças que trabalhava para o editor do jornal no qual publicava suas críticas. Apesar de ter 50 anos, Bolívar nunca teve tempo nem estomago para ser um conquistador, logo sua experiência sexual se resumia a filmes pornôs e a constantes masturbações no banheiro de casa.

A secretária de pernas roliças se chamava Elisa e adorava verde. De amarga não tinha nada. Certo dia, com uma coragem quase que paranormal Bolívar convidou Elisa para sair. E ela surpreendentemente aceitou.

Não foi difícil para ele decidir o lugar para levá-la. Elisa também era uma grande apreciadora de gastronomia. Foram a um bistrô e o jantar foi simplesmente maravilhoso, provavelmente escreveria pela primeira vez em sua vida uma critica favorável. Mas, isto era trabalho para amanhã, a noite ainda estava viva e Elisa estava ali, bem ao seu lado. Ele a convidou para assistir um filme em seu apartamento prometendo que a levaria em
casa depois. E ela mais uma vez disse sim com aquele sorriso encantador que só ela tinha. Ao chegarem ao apartamento tomaram o vinho, e ouviram um pouco de jazz, Elisa tinha um fraco para bebidas alcoólicas, e Bolívar tinha fraco pelas pernas roliças daquele farto exemplar feminino. O filme foi esquecido.

Pela primeira vez em sua vida Bolívar não sentiu nojo da pele alheia. E tocou com um afã do inexperiente que era toda e qualquer parte daquela mulher. Foi dominado pela secretária de pernas roliças. Ela sentou-se em cima dele, que tinha acomodado todo o seu peso no sofá de veludo. Fizeram sexo como animais, e apesar de seu peso e inexperiência, Bolívar apresentou um vigor sexual inesperado. Porém, tantos anos de alimentação desregrada e escassas idas ao médico, acharam de atacar logo naquele momento. Bolívar teve um ataque cardíaco obviamente fulminante. Morreu gemendo como um porco enquanto gozava.

por Malu Cima

9 comentários:

  1. kkkkkkkkk
    muito bom! foda

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  2. de fuder!!! a melhor frase é última sem duvidas ... muito bom

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  3. Pelo menos morreu feliz! =D
    uhauhauhauhauha

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  4. Sempre que leio os texto dos 10 temidos,evito descobrir o autor antes do fim da leitura. Repeti o ritual, me envolvi com o conto e adorei. Mas a minha maior surpresa foi descobrir de quem era a obra: Malu Cima. Por isso elejo a criadora uma das mais versáteis do blog. Parabéns!!!

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  5. Concordo com o comentário acima,a autora seguiu uma linha diferente dos outros texto. Também adorei!!!

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  6. È mesmo !!! kkkkkkkk Ele morreu feliz kkkk
    Muito bom!

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  7. Massa! kkkkkk de fuder!

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