sábado, 14 de maio de 2011

Fé 2.0?! Que nada...

Viagem de buzú para mim é inspiração.

Sempre estou de olho em tudo o que acontece. E sempre acontece algo inusitado, diferente ou louco, que me inspira a escrever.


Uma garota de no máximo 11 anos estava sentada ao meu lado no colo da mãe.

Segurava um desses celulares com TV digital. E estava super ligada em algum desenho, possivelmente da TV Globinho.

Então, o sinal da TV ficou ruim. Mas ao mesmo tempo o celular tocou. E ela resolveu atender. Era o pai.

Sabe voz de guria mimada? Daquelas bem chatinhas... (calma, gente, eu adoro crianças).

Pois, bem, era a voz da guria falando com o pai.

E como ser humano que sou, comecei a fazer pré-julgamentos sobre a guria.

Imaginei uma daquelas garotas que além do celular com TV digital, possui um notebook, passa horas na internet, pinta as unhas com esmaltes coloridos e usa roupa de adulta.

Bem do tipo, como é que dizem mesmo por aí... É... Geração da letrinha, X,Y,Z...zZzZ

Tentei afastar um pouco esses pensamentos, afinal, quem sou eu para julgar uma guria de 11 anos?

Tecnologia é uma das minhas paixões, só não gosto de fazer parte da sopa de letrinha, pois acredito que já passei do tempo de “andar” em tribos. Ou seja, já tive minha fase de crise de personalidade. Não quero mais me confundi pensando em qual letra do alfabeto me encaixo.

Mas voltando a guria...

Sabe o celular com a TV digital? A antena quebrou. E ela estava louca procurando o pedaço da antena. E eu acabei encontrando para ela. Que me agradeceu com um sorriso de criança, aquele feliz, de quem acabou de ganhar um pirulito.

Então, de repente, ela se levanta da cadeira e dá três pulinhos. Isso mesmo, TRÊS PULINHOS.

Sabe o motivo?

Ela disse bem baixinho quando começou a procurar o pedaço da antena:
“São Longuinho, São Longuinho, se eu achar o pedaço da minha antena te dou três pulinhos.”

Minha gente, quem nunca fez isso na vida?

E eu pensando que isso não existia mais. Quer dizer, na minha cabeça de 22 anos, ainda existe, fiz e ainda faço direto. Aprendi com minha mãe, que aprendeu com minha avó e por aí vai...

Mas não pensava que as crianças de hoje ainda acreditassem em São Longuinho.

Afinal, hoje em dia, existe o São Google, São Facebook, Santo Achado, Santa da Banda Larga, São Uploudo, São Logado ...

Fé 2.0?! Que nada... Ufa! O mundo pode está conectado demais, mas que bom, que ainda existe pessoas (crianças!) que se conectam as boas e velhas tradições. Isso faz bem para alma.

E meu pré-julgamento sobre a guria? Foi por água abaixo. Fiquei foi com vergonha. Afinal eu também aprendi que não se julga ninguém pela aparência.

Por Geraldine

4 comentários:

  1. Adooooooorei o texto!

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  2. Talvez haja quem um dia tenha dito que somos o resultado da soma de nossos preconceitos e defeitos. Afinal, a graça da vida são as imperfeitas variações.

    Particularmente, eu só tenho preconceito com aqueles que têm preconceito com os preconceituosos, como eu.

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  3. Bela estréia Geraldine! Texto legal!

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  4. Muito legal o texto! Bem vinda Geraldine!

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